A VACA E O TIGRE

13/07/2017
Florianópolis/SC


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Certa vez, uma vaca estava pastando, comendo um pasto bem macio, completamente absorta. Ela foi então caminhando cada vez mais longe, em direção a um local cheio de lama, até que ficou presa e não conseguiu mais se mover. De repente um tigre a avistou e pensou: “Oh, aquela vaca está presa na lama!” e então rugindo, pulou bem perto da vaca. De uns dois a três metros de distância ele pulou, porém também ficou preso ali. Nem o tigre e nem a vaca conseguiam se mover e havia cinco metros de distância entre eles.

Os aldeões que estavam no local viram a vaca e o tigre presos na lama. Então eles pensaram: “Como poderemos tirar aquela vaca da lama?”. Um dos aldeões foi bem perto da vaca e a amarrou com uma corda, puxando-a para fora. A vaca estava agora completamente salva e o tigre, ao ver isso, pensou: “Oh, ninguém aqui para me salvar!”. Pois quem iria chegar perto do tigre para amarrá-lo com uma corda? O tigre estava completamente sem esperança e depois de alguns dias sem comer, abandonou o corpo naquela lama.

Qual é o sentido dessa pequena história que eu contei? 

O tigre é o inimigo de todas as entidades vivas e a vaca é a amiga de todas as entidades vivas, por isso todos ajudam a vaca e ninguém ajuda o tigre. Você ajuda quem? Quem é seu amigo! E quem é inimigo, você evita. Essa é a qualificação de um madhyama-adhikari, um devoto intermediário.

Qual é a definição de madhyama-adhikari
īśvare tad-adhīneṣu
bāliśeṣu dviṣatsu ca
prema-maitrī-kṛpopekṣā
yaḥ karoti sa madhyamaḥ
(Śrīmad-Bhāgavatam 11.2.46/ CC Madhya 22.73)
“Um devoto intermediário (de segunda classe) demonstra apego profundo pela Suprema Personalidade de Deus, é amigo de todos os devotos e é muito misericordioso com os devotos neófitos e as pessoa ignorantes. Ele negligencia aqueles que tem inveja do serviço devocional.” 

Aprendam esse sloka. Significa que um madhyama-adhikari possui quatro qualificações ou comportamentos em relação às pessoas. īśvare tad-adhīneṣu/bāliśeṣu dviṣatsu ca: O madhyama-adhikari está sempre muito absorto em Isvara, Bhagavam, o que significa que Ele tem prema, asakti, um profundo apego pelo Senhor. Mas no madhyama-adhikari o prema ainda não se manifestou, pois prema se manifesta no coração do uttama-bhagavata. E quando isso acontece, o prema não é suportado nesse corpo, ou seja, o uttama-bhagavata não pode mais viver nesse corpo. As escrituras explicam isso, que quando prema se manifesta no coração do uttama-bhagavata, ele rapidamente irá abandonar o corpo. 

Então nesse sloka é dito īśvare...prema. Prema significa que ele tem apego profundo pelo Senhor. E prema-maitrī, sua segunda qualificação, maitrī, ele faz amizade com os eternos associados de Krishna e também com todos os devotos. Essa amizade é de quatro tipos:

1 - maitrī-yukta-maitrīele faz amizade com aquele que está no mesmo nível que ele;
2 - kripa-yukta-maitrī: Ele é misericordioso e faz amizade com aqueles que são juniores a ele e seva-yukta-maitrī: ele serve e também faz amizade com aqueles que são seniores
3 - Para aquelas pessoas que são simples e inocentes, que não sabem muito o que é bom e o que é mau e que não têm duplicidade ou hipocrisia no coração, ele também dá essa misericórdia.
4 - upeksa: Ele negligencia aqueles que têm inveja e criticam guru e vaishnav.

Srila Bhaktivinoda Thakura canta:
vaishnava caritra, sarvada pavitra,
jei ninde himsa kori’
bhakativinoda, na’ sambhase ta’re
thake sada mauna dhori’
(Kabe Mui Vaishnava Cinibo)

Nessa canção em Bengali é explicado que o caráter do sudha-vaishnava é puro e aquele que o critica e inveja, Bhaktivinoda Thakur diz: “Eu não falarei com ele, simplesmente ficarei em completo silêncio”.

A vaca é amiga e dá leite a todas as entidades vivas. E a vaca também é mãe, ela alimenta o bezerro com seu leite, da mesma forma, ela também alimenta e nutre todas as entidades vivas. Os Vedas então explicam que ela é go-matha (mãe-vaca) e a vaca original se chama Surabhi. O próprio Krishna adora as vacas, Ele tem muitos pranamas mantras e este é muito doce:
namo brahmaṇya-devāya
go-brāhmaṇa-hitāya ca
jagad-dhitāya kṛṣṇāya
govindāya namo namaḥ
(Viṣṇu Purāṇa 1.19.65/CC Madhya 13.77)
“Eu ofereço minhas respeitáveis reverências ao Senhor Kṛṣṇa, que é a deidade adorável de todos os brāhmaṇas, o bem-querente das vacas e dos brāhmaṇas e que está sempre  beneficiando o mundo inteiro. Eu ofereço repetidas reverências a Suprema Personalidade de Deus, conhecida como Kṛṣṇa e Govinda.”
namo brahmaṇya-devāya: todos os brahmanas reverenciam a Sri Krisna. E Krishna honra todos os brahmanas.

Quando Krishna era um bebê e tinha cinco anos de idade, Ele disse: “Oh, eu devo pastorear as vacas!” e Nanda e Yasoda responderam: “Não,  nós temos muitos servos, Você não precisa ir!”. Mas Krishna retrucava: “Não! Eu nasci numa família de baixa casta, na dinastia dos gopas (gopa-jati), então Eu tenho esse dever prescrito de pastorear as vacas!”. Os Vedas explicam os diferentes tipos de castas e cada uma deles deve realizar os seus deveres e responsabilidades. Krishna nasceu na vaisya-jati, a dinastia dos vaqueiros, então por isso Ele disse que devia realizar seus deveres prescritos. 

Nanda Maharaj: - Se você for pastorear as vacas, vai haver muitos espinhos e pedras no caminho, como Você irá fazer? As vacas caminham em qualquer lugar, pois elas têm os cascos. Elas conseguem caminhar nas pedras, espinhos e em todo lugar! Então como é possível que Você caminhe atrás delas?

Krishna é bem teimoso: - Não! Eu nasci numa família de vaqueiros (gopa-jati), então devo pastorear!

Nanda Maharaj: - Você deve então calçar sapatos e também levar um guarda-sol, pois os raios do sol são muito fortes.

Krishna: - Como é possível? A vaca é nossa ista-deva (deidade adorável) e é também a nossa mãe, então como é possível que eu caminhe atrás delas de sapatos? Tudo bem, Eu até posso calçar os sapatos, mas só se você também levar sapatos para todas as vacas!

Nanda Maharaj tem 900.000 (nava-lakha) vacas e multiplicando por quatro patas de cada uma, são 900.000 x 4 sapatos, muitos milhões! Não é possível!

Krishna: - Se não é possível levar sapatos para todas as vacas, Eu também não vou levar para Mim. 

Nanda Maharaj: Então leve um guarda-sol...

Krishna: Eu só vou levar guarda-sol se também puder levar um guarda-sol nas costas de cada vaca.

Mas não é possível colocar um guarda-sol nas costas de cada vaca... Porque se você fizer isso, quando elas forem correr no meio da floresta, os guarda-sóis vão se quebrar!

Por essa razão, Krishna pastoreia as vacas em Vrindavana sem guarda-sol e descalço. Dessa forma Krishna respeita as vacas.

Por isso, esse pranama-mantra diz: namo brahmaṇya-devāya... (Viṣṇu Purāṇa 1.19.65)

Um dos nomes de Krishna é Govinda. Go significa “vaca” e vinda significa ananda, “Aquele que dá prazer a todas as vacas”. Go significa sentidos, mas tem também muitos significados: vacas, Vedas, gopas, gopis... Então Govinda é aquele que dá prazer a todas as entidades vivas em Vrindavana. 

Por que eu contei essa história? Porque as vacas são nossas amigas. Por isso, todos os aldeões protegeram as vacas, mas ninguém protegeu o tigre, pois o tigre é o inimigo, então o deixaram morrer.

Os devotos intermediários (madhyama-adikhari) têm o poder de discriminação, mas o uttama-adikhari não. Qual é a definição de uttama-adhikari?
sarva-bhūteṣu yaḥ paśyed bhagavad-bhāvam ātmanaḥ
bhūtāni bhagavaty ātmany eṣa bhāgavatottamaḥ
(Śrīmad-Bhāgavatam 11.2.45/CC Madhya 8.275)
“Śrī Caitanya Mahāprabhu continuou, ‘Uma pessoa avançada em serviço devocional enxerga em tudo a alma das almas, a Suprema Personalidade de Deus, Śrī Kṛṣṇa. Consequentemente, ela sempre vê a forma da Suprema Personalidade de Deus como a causa de todas as causas e compreende que todas as coisas residem nEle.’”
O uttama-adhikari vê a sua ista-deva em todos os lugares e vê todas as entidades vivas servindo a sua deidade adorável de acordo com seu próprio humor.

Tulasi Das diz em um verso: “Para todo lugar que olho, eu vejo Sita Ram, Sita Ram, Sita Ram e presto minhas reverências’’. O Senhor Chaitanya Mahaprabhu diz:
sthāvara-jaṅgama dekhe, nā dekhe tāra mūrti
sarvatra haya nija iṣṭa-deva-sphūrti
(Caitanya-caritāmṛta, Madhya 8.274)
“Um Vaishnava nunca vê a forma material de nada, vivo ou inerte. Ao contrário, para todo lugar que ele olha, ele vê a e energia da Suprema Personalidade de Deus e imediatamente se lembra da forma transcendental do Senhor.”

vana dekhi' bhrama haya--ei 'vṛndāvana'
śaila dekhi' mane haya--ei 'govardhana'
(Caitanya-caritāmṛta, Madhya 17.55)
“Quando Śrī Caitanya Mahāprabhu passou pela floresta Jhārikhaṇḍa, Ele pensou que era Vṛndāvana. Quando Ele passou pelas montanhas, Ele pensou que elas eram Govardhana.”
yāhāṅ nadī dekhe tāhāṅ mānaye--'kālindī'
mahā-premāveśe nāce prabhu paḍe kāndi'
(Caitanya-caritāmṛta, Madhya 17.56)
“Da mesma forma, sempre que Śrī Caitanya Mahāprabhu via um rio, Ele imediatamente pensava que era o Rio Yamunā. Assim, enquanto estava na floresta, Ele estava repleto de amor estático e dançava e caía ao chão chorando.”

Quando Mahaprabhu viajava pelo sul da Índia, estava absorto no mais elevado humor. Ele via uma pequena montanha e pensava que era Giriraj Govardhan. Ele não via as coisas externas, pois o seu coração estava completamente absorto em Krishna. 

E assim, para onde Srimati Radhika olhava, tudo era Krishna, KrishnaKrishna! Completamente absorta em Krishna, internamente e externamente, onde quer que Ela olhava havia Krishna, Krishna, Krishna! E em todo lugar havia estímulos (spurthipara que Ela se lembrasse de Krishna.

Assim era Sri Chaitanya Maharabhu, ao viajar pelo sul da Índia. Ao ver uma pequena montanha, Ele pensava que era Giriraj Govadhan e então todos os doces passatempos de Giriraj Govardhan se manifestavam em Seu coração. Krishna realizou doces lilas [passatempos] nas cavernas de Giriraj Govardhan. 
hantāyam adrir abalā hari-dāsa-varyo
yad rāma-kṛṣṇa-caraṇa-sparaśa-pramodaḥ
mānaḿ tanoti saha-go-gaṇayos tayor yat
pānīya-sūyavasa-kandara-kandamūlaiḥ
(Śrīmad-Bhāgavatam 10.21.18/ CC Madhya 18.34)
“ ‘Dentre todos os devotos, essa Colina de Govardhana é a melhor! Oh, meus amigos, essa Colina concede a Kṛṣṇa e Balarāma, assim como Seus bezerros, vacas e amigos vaqueiros, todos os tipos de necessidades - água para beber, grama bem macia, cavernas, frutas, flores e vegetais. Dessa forma, a colina oferece seus respeitos ao Senhor. Ao ser tocada pelos pés de lótus de Kṛṣṇa e Balarāma, a Colina de Govardhana fica em júbilo.’ ”

Srimati Radhika recitou esse verso.

Quando Mahaprabhu via pequeno rio, uma cachoeira, Ele pensava: “Esse é o Yamuna!” e se lembrava como Krishna realizou Seus doces passatempos aquáticos, ou os passatempos de barco, nas águas do Yamuna em Vrindavana.
bhratur antakasya pattane ’bhipatti-harini
preksayati-papino ’pi papa-sindhu-tarini
nira-madhuribhir apy asesa-citta-bandhini
mam punatu sarvadaravinda-bandhu-nandini (1)
hari-vari-dharayabhimanditoru-khandava
pundarika-mandalodyad-andajali-tandava
snana-kama-pamarogra-papa-sampad-andhini
mam punatu sarvadaravinda-bandhu-nandini (2)
(Sri Yamunastakam, de Srila Rupa Gosvamipad)
“Śrī Yamunā-devī impede que se tenha que ir a cidade de seu irmão, Yamarāja (o senhor da morte). Simplesmente por vê-la, até o maior dos pecadores é libertado de um oceano de pecados. Suas doces águas encantam o coração de todos. Que Yamunā-devī, filha de Sūrya-deva [que nessa canção é chamada de Aravinda-bandhu, amiga do lótus], sempre me purifique.” (1)
“Ela embeleza a imensa Floresta Khāṇḍava de Indra com sua encantadora correnteza e com seus lótus brancos a desabrochar, onde os pássaros, como as alvéolas, estão sempre a dançar. (O que dizer de se banhar,) o simples desejo de se banhar em suas águas, liberta um pecador de suas inúmeras atividades abomináveis. Que Yamunā-devī, filha de Sūrya-deva, sempre me purifique.” (2)
Quando Mahaprabhu se absorvia no humor mais elevado, Ele pensava: “Oh, Esse é o Yamuna”. Isso é o sintoma do uttama-bhagavatasthāvara-jaṅgama dekhe... (Caitanya-caritāmṛta, Madhya 8.274)

Em todo lugar que ele olha, há estímulos para que ele veja a sua ista-deva (deidade adorável). Ele vê todas as entidades vivas servindo sua ista-deva no seu mesmo humor e vê Krishna morando no coração de todas.

Como Narada Rsi, uttama-utamma-maha-bhagavata, Ele vê todas as entidades vivas servindo a Krishna. Ele não pensa que Kamsa é inimigo de Krishna, mas sim que ele está servindo a Krishna, mas de maneira oposta. Todos estão servindo! Por isso, quando Narada Rsi vai para Mathura, ele se encontra com Kamsa e todos que vêem Narada Rsi dizem: “Oh, guruji, guruji!”, pois ele é o guru universal (jagat-guru), inclusive Kamsa, que apesar de ser inimigo, respeita Narada Rsi.

E Narada Rsi é muito esperto, ele sabe como esse humor contrário de Kamsa nutre os passatempos de Krishna. Ele não vê as coisas externas, mas vê que todos estão servindo Krishna de acordo com seu humor e muito estímulo (uddiphana) se manifesta em seu coração. O uttama-maha-bhagavata vê uma moça jovem e muito bela e pensa: “Oh, uma gopi!” e se absorve nos passatempos de Vrindavana. As gopis servem a Krishna de diversas maneiras; elas se vestem com belíssimas roupas, porque isso é Krishna-seva. Seus olhos têm a forma como a de um peixe, por isso elas são chamadas de Meenakshi, Meena-akshmi: Meena significa “peixe” e akshmi, “olhos”, ou seja, “Aquela cujos olhos têm o formato como o de um peixe”. E quem é a Meenakshi original? Srimati Radhika! Seus olhos têm o formato como o de um peixe. Quando o uttama-bhagavata vê mocinhas jovens e belas, automaticamente se absorve nas lilas de Krishna no mundo transcendental.

Certa vez me perguntaram: “Quando o uttama-bhagavata vê uma moça muito feia, que tipo de estímulo surge em seu coração?”.

Nesse caso também tem estímulo! Porque o significado de uttama-bhagavata é esse, onde quer que ele olhe, sempre tem estímulos, porque ele não vê as coisas externas, mas está sempre absorto em Krishna-lilaEntão qual é o estímulo que surge? O de Putana!

Putana era muito feia. Seus cabelos eram como as chamas do fogo e seu corpo exalava um odor muito ruim. No Srimad Bhagavatam, Sukadevga Gosvamipad falou a Pariksit Maharaj como Putana era  muito feia e como seu corpo exalava um cheiro muito ruim, porque  ela matava os bebês e chupava o seu sangue. 

Neste mundo material, se você come cebola, ou alho, você exala um cheiro ruim. Eu não estou criticando, mas é a verdade. Agora que você é devoto, não come mais cebola e alho, mas antes, talvez você comesse de tudo. Ou talvez não comesse de tudo, essa não é a questão. Aqueles que nasceram em família de devotos, provavelmente não comeram essas coisas, muito bom. Assim, aqueles que comem cebola e alho, exalam um cheiro muito ruim de suas bocas, quando eles falam, é possível sentir. E aqueles que bebem álcool, também.

Ontem à meia-noite, depois do programa, quando chegamos na casa do Murali-prabhu, a porta estava fechada e nós não conseguimos entrar, pois não tínhamos a chave. Então um bêbado se aproximou de nós e eu vi que seus olhos estavam vermelhos e que ele estava completamente bêbado; o que ele falava, eu não sei! Então eu fiquei com medo, porque talvez... Porque um bêbado pode fazer qualquer coisa! Ele pode pular em cima de você ou te jogar uma pedra, pois ele perdeu a consciência, então pode fazer qualquer coisa! Madhavananda-prabhu estava conversando com o bêbado, explicando que eu era um monge indiano... Então eu disse: “Vai embora, vai, vai”, mas talvez ele pudesse voltar. Então eu pulei as grades do muro e entrei no quintal da casa. Porque eu estava com medo do bêbado! Entenderam?

Nityananda-prabhu tentou ajudar um bêbado, mas o bêbado não  atingiu a testa de Nityananda com uma garrafa?  Madhavananda e Jagadhananda! Então eu me lembrei dessa lila e pensei: “No need [não precisa disso]”. Assim, eu pulei o muro e entrei [na casa]. Goura-lila, Nityananda-prabhu uddiphanaKrishna arranjou! Que belo uddiphana[Srila Gurudeva fala dando gargalhadas]. Mas apenas Jagai veio, Madhai não veio. 

Então: sthāvara-jaṅgama dekhe... (Caitanya-caritāmṛta, Madhya 8.274) Essa é a qualificação do uttama-bhagavata; Ele vê uma floresta e pensa que é Vrindavana e todos os estímulos surgem em seu coração. 

O madhyama-adhikari tem o poder do discernimento [sabe o que é bom ou ruim] e tem o conhecimento das escrituras, sastra-jnana

Já o kanistha-adhikari é um estúpido e sem noção, ele não tem sastra-jnana e nem tem o poder do discernimento. Kanistha-adhikari significa que ele tem um pouco de fé em sua thakurji, mas qualquer problema que aconteça, ele pega sua thakurji e a joga na água, sua fé acaba. Porque a sua fé é muito rasa! Essa é a definição de kanistha-adhikari:
arcāyām eva haraye
pūjāṁ yaḥ śraddhayehate
na tad-bhakteṣu cānyeṣu
sa bhaktaḥ prākṛtaḥ smṛtaḥ
(Śrīmad-Bhāgavatam 11.2.47/CC Madhya 22.74)
“ ‘Um prākṛta-bhakta (devoto materialista) não estuda o śāstra intencionalmente, a fim de compreender o verdadeiro significado do serviço devocional puro. Consequentemente, ele não respeita os devotos avançados da forma apropriada. Ele pode, no entanto, seguir os princípios reguladores, os quais aprendeu de seu mestre espiritual ou de sua família que adora a deidade. Ele deve ser considerado situado na plataforma material, apesar de estar tentando avançar no serviço devocional. Tal pessoa é um bhakta-prāya (devoto neófito), ou bhaktābhāsa, pois ele é ligeiramente iluminado pela filosofia Vaiṣṇava.’ ”
Então tentem sempre se tornar um madhyama-adhikari! Ele tem essa qualificação: īśvare tad-adhīneṣu... (Śrīmad-Bhāgavatam 11.2.46). Então aos poucos você se torna um uttam...

Absorva-se sempre em hari-katha, assim você vai desenvolver seu bhajana e sadhanaE aprendam os slokas dos śāstras!

Hare Krishna Hare Krishna 
Krishna Krishna Hare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama Hare Hare

Transcrição: Manjari Priya Devi Dasi