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23.10.17

DÊ-ME AMOR E AFEIÇÃO

04/02/2017
Paraty/RJ


Assista aqui

Srila Bhaktisidhanta Sarasvati Prabhupada diz que é muito difícil a alma condicionada voltar seu rosto para Krsna.

Para fazer uma alma condicionada olhar para Krsna, é preciso que uma pessoa santa gaste 500 galões do seu próprio sangue. Mas nos países ocidentais é necessário gastar o dobro, ou seja, mil galões. Isso acontece porque a cultura e as impressões [samskaras] dos ocidentais são completamente diferentes aos da cultura védica.

Krsnadasa Kaviraji Gosvami explica no Caitanya-caritamrta:
bhārata-bhūmite haila manuṣya janma yāra
janma sārthaka kari' kara para-upakāra
(Caitanya-caritamrta Adi 9.41)
[“Aquele que nasce como ser humano na Índia (Bharata-varsa) deve tornar sua vida bem-sucedida, trabalhando para o benefício de todos, através da pregação do nama-sankirtana, o cantar dos santos nomes de Krsna.”]

Aquele que nasce na Índia, Bharata-varsa, tem a vida bem-sucedida.

Sua vida terá êxito se você ajudar às outras pessoas. Bhaktivinoda Thakura, no primeiro capítulo do Jaiva Dharma, glorifica Bharata-varsa. Bharata-varsa significa ‘punyavan’, porque nos tempos antigos, no começo da criação, muitos munis e rsis [sábios] fizeram bhajana e sadhana lá. Bhagavan só aparece em Bharata-varsa. E onde é Bharata-varsa? Em Vrndavana! 

Vrajendra-nandana Syamasundara não aparece em outro lugar, só aparece em Bharata-varsa e neste mundo, Vrndavana é o melhor de todos os locais. Assim, todos devem ter avidez para nascer em Vrndavana, isso é muito importante!
Vrndavan ke vriksha ko 
Maram na jane koi
Dal dal aur pat pat pe 
Radhe Radhe hoye
[“Ninguém conhece o segredo das árvores de Vrndavana. Cada um de seus galhos e folhas estão cantando Radhe! Radhe!”]

Todas as árvores de Vrndavana estão cantando: “Radhe! Radhe!”, mas as árvores do Brasil não cantam “Radhe! Radhe!”.
Radha meri swamini
Main Radhe ko das
Janam janam mohe dijiyo
Vrndavana ko vas
[“Radha é minha svamini (senhora) e eu sou Sua serva. Por favor, me conceda moradia em Vrndavana em cada nascimento meu.”]

Mais confidencial do que Vrndavana é Navadvipa-dhama, que não é diferente de Vrndavana. Leia o primeiro capítulo do Jaiva Dharma, onde há a glorificação de Navadvipa-dham, Svetadvipa-dhama. Navadvipa-dhama é magnânima e munificente. Se você ficar no dhama (Navadvipa-dhama ou Vrndavana-dhama), automaticamente Hari-bhakti vai se manifestar em seu coração. Mas há uma condição: apenas se você não cometer ofensa (aparadha), pois aqueles que são ofensores, mesmo estando no dhama, não receberão nenhum fruto. Portanto, esse é um lugar muito confidencial, Svetadvipa-dhama (Navadvipa-dhama).

Nosso principal objetivo é orar ao Senhor Caitanya Mahaprabhu para que consigamos nascer em Navadvipa-dhama.
kabe gaura-vane, suradhunī-taṭe, ‘hā rādhe, hā kṛṣṇa’ bôle 
kā̃diyā beḓā’bô, deha-sukha chāḓi’, nānā latā-taru-tale (1) 
(Kabe Gaura-vane, Srila Bhaktivinoda Thakura)
[“Oh! Quando eu irei, abandonando todos os prazeres corpóreos, vagando sob diversas árvores e trepadeiras, às margens do Suradhunī [Gaṅgā] em Gaura- vana [Śrī Navadvīpa-dhāma], chorando e clamando: ‘Hā Rādhe! Hā Kṛṣṇa!’?”]

Nessa canção, Srila Bhaktivinoda Thakura muito humildemente canta: “Quando chegará o dia em que nascerei em Navadvipa-dhama e cantarei ‘Ha Radhe! Ha Krsna!’, vagando às margens do Ganges?”.

Sempre ore assim: “Ó Sacinandana Gaurahari, dê-me Sua misericórdia para que eu possa nascer em Navadvipa-dhama”. Isso é muito importante. Gaura-dhama, Navadvipa-dhama!

Gurudeva dizia: “Talvez você venha a Vrndavana-dhama ou talvez não, devido a algum problema, mas você deve vir a Navadvipa-dhama (Gaura-dhama)”. Porque se você for a Navadvipa-dhama, mesmo que seja um ofensor (aparadhi), todas as suas ofensas serão destruídas, pois Caitanya Mahaprabhu é muito misericordioso, magnânimo e munificente.

Então ore assim: “Ei, Caitanya Mahaprabhu, por favor, seja misericordioso comigo para que eu possa ir a Navadvipa-dhama!”. Vrndavana-dhama não aceita que aqueles que são ofensores permaneçam nela; ela os expulsa de lá. Mesmo que você pense: “Ah, eu tenho muito dinheiro e posso ficar num lugar muito confortável”, na verdade você não pode. O dhama é encoberto por uma rede e você não pode ver sua forma transcendental.

Por outro lado, tanto o sadhaka [praticante], quanto o siddha [alma liberada], podem ficar em Navadvipa-dhama. E se você for a Navadvipa-dhama e somente ficar lá deitado, Navadvipa-candra [Mahaprabhu] vai dar misericórdia a você. Mesmo que você não faça parikrama, fique à toa, deitado e tomando maha-prasada, Mahaprabhu lhe dará misericórdia. Krsna falou para Srimati Radhika: “Meu lugar mais secreto é Navadvipa-dhama. No período de um dia de Brahma, Eu irei para lá e manifestarei todas as Minhas doces Navadvipa-lilas (Gaura-lilas)”. Um dia de Brahma equivale a mil catu-yugas: Satya, Tetra, Dvapara e Kali-yuga [equivale às quatro eras multiplicado por mil]. Então, no final de Dvapara-yuga, começo de Kali-yuga, o próprio Krsna apareceu como Sacinandana Gaurahari. Sempre se lembre de Sacinandana Gaurahari!

Srila Bhaktisidhanta Sarasvati Prabhupada disse que neste mundo material, a alma condicionada está sempre querendo ir em direção à maya e não é tão fácil tirá-la de lá. Assim como o verme do excremento: se você o retira das fezes, ele retorna para lá. Você pode colocar um pote de arroz-doce de um lado e o excremento de outro… Para onde o verme vai? Ele vai em direção às fezes, mesmo que você diga: “Não, não, vá para paramananda, o arroz-doce (kheer), ele vai dizer: “Não, não, eu quero o excremento”. A alma condicionada é assim.

Por que eu venho até aqui, de tão longe, da Índia? Para tentar ajudar vocês! Eu não peço dinheiro, nada. Eu posso dar tudo a vocês! Eu posso dar a vida a vocês! Eu dou sangue, dou tudo a vocês! Apenas cante os santos nomes… Eu posso cozinhar uma prasada deliciosa para vocês… Mas vocês têm que cantar os santos nomes, fazer kirtan e ouvir harikatha. Mas na hora do harikatha, estão todos correndo pra lá e pra cá. Então eu fico bravo: “Não…”.

Hoje eu saí e fiz kirtan nas ruas, voltei e rapidamente cozinhei. Quando olhei aqui, ninguém tinha ainda colocado uma asana (assento) para mim. E ficam dizendo: “Eu sou seu servo, eu sou seu servo”. Que serviço? Se você não tem responsabilidade, então qual é o seu serviço? Eu dei a você o seu dever e o dever de cada um é diferente. Seu dever é este: tocar mrdanga e fazer kirtan. Mas você quer… Eu mesmo posso trazer! Eu não quero serviço de você. Minhas mãos e pernas ainda estão funcionando. Quando minhas mãos e pernas não funcionarem mais, aí então talvez Krsna inspire o coração de alguém para me servir. Eu tenho fé nisso: quando minhas mãos e pernas não funcionarem mais, Krsna vai inspirar quem tem [mãos e pernas] para me servir. Eu não venho aqui buscando serviço: “Ele/ela pode me servir assim… ela pode cozinhar…”. Às vezes eu fico bravo e digo que não precisa cozinhar para mim, cozinhe para sadhu e vaisnava; todos vocês são vaisnavas! Eu venho aqui para servir vaisnavas! Todos vocês são vaisnavas; todos vocês são flores de Gurudev! Essa é a minha concepção, todos vocês são flores de Gurudev! Então como é possível que eu pegue as flores de Gurudev e as coloque em meu bolso? Não. Todos as flores, eu ofereço a Gurudev. Como? Fazendo uma belíssima guirlanda. Essa é a minha concepção.

Cante os santos nomes e sirva guru e vaisnava! Em uma vida, tenha entusiasmo: “Esta vida, eu vou sacrificar por Krsna (Krsna-seva)”. Com o cantar dos santos nomes vem o humor de serviço. Quem canta o santo nome, automaticamente tem seva-vritti, isso é 100% garantido. Como você sabe se está cantando os santos nomes? Pela tendência de servir guru e vaisnava. Quando eu ficava com Gurudev, durante 24 horas ele nos engajava em servir guru. Se nós atrasássemos um pouco, para colocar a asana de Gurudev, ele nos batia bem forte. (Mas eu não bato em vocês, porque vocês não podem tolerar; eu só brigo um pouco).

Brahma, Siva, Narada, todos estão muito ávidos para pegar a poeira dos pés de lótus do devoto puro do Senhor, pois aquele que canta os santos nomes é mais elevado que os samavedi-brahmanas.
ĵe-dina gṛhe, bhajana dekhi, gṛhete goloka bhāya 
caraṇa-sīdhu, dekhiyā gaṅgā, sukha nā sīmā pāya (6) 
(Śuddha-bhakata, śrīla bhak vinoda Ṭhākura)
[“Minha casa é transformada em Goloka Vṛndāvana quando eu vejo bhajana a Śrī Rādhā-Kṛṣṇa sendo realizado ali. Quando eu olho para o Gaṅgā, o néctar [que emana] dos pés do Senhor, minha felicidade não tem limites.”]

A casa daquele que faz bhajana e sadhana, serve guru e vaisnava, é chamada de Goloka Vrndavana. Portanto sempre respeite todos os vaisnavas.

Eu estou muito feliz porque tantos devotos estão viajando comigo! Meu sonho é… Como quando Srila Prabhupada pregava, centenas e milhares de devotos iam atrás dele… Eu gosto disso!

Quando o Senhor Caitanya Mahaparabhu era convidado para ir a alguma casa e tomar prasada, Ele levava dez, quinze, cem pessoas junto com Ele! E eles nunca reclamavam, o que tinha para comer, eles comiam. Eu vi o mesmo acontecendo com Gurudev, Srila Narayana Gosvami Maharaj e os vrajavasis, que no início não queriam convidar Gurudev para tomar prasada em suas casas, porque às vezes a esposa do devoto não era devota. 

Neste mundo material, a natureza é que sempre dois tipos de pessoas fiquem juntas: asura-vritti e sura-vritti.
dvau bhūta-sargau loke 'smin
daiva āsura eva ca
viṣṇu-bhakto bhaved daiva
asuras tad-viparyayaḥ
(Bhagavad-gita 16.6)
[“Ó filho de Pṛthā, neste mundo, há dois tipos de seres, um é chamado de divino e o outro de demoníaco. Aquele que é devoto do Senhor Supremo é chamado de semideus e aquele que desafia a autoridade dEle é chamado de demônio.”]

Em toda família, isso é verdade, talvez o pai seja devoto e a mãe não seja. Nos países ocidentais [numa família de dez pessoas], uma é devota e as outras nove não são. 

Então eu vi, que as pessoas não queriam convidar Gurudev para ir a casa delas tomar prasada, mas Gurudev, à força, dizia: “Eu vou a sua casa tomar prasada!”. E como o coração das mulheres é muito terno, talvez elas pudessem pensar: “Oh! O sadhu está vindo tomar prasada em minha casa, como que eu vou dizer para ele não vir?”. O homem talvez dissesse: “Não, não, Maharaj, eu não tenho tempo hoje, quem sabe amanhã, depois de amanhã, ou depois…”. Nunca. 

Mas o coração das mulheres é muito terno. Eu vi Gurudev dizendo: “Eu vou a sua casa” e a mulher dizia: “Ok, Maharaj, venha”. E talvez seu marido não estivesse em casa ao meio-dia, pois tinha ido ao mercado ou trabalhar, então ela cozinhava apenas para Gurudev e Gurudev levava três ou quatro brahmacaris com ele! E Gurudev dizia para eles não reclamarem, que o que lhes fosse oferecido, eles deveriam comer. Eu vi essas coisas! Quando íamos a casa dos vrajavasis e talvez tivesse apenas três ou quatro chapatis e três ou quatro brahmacaris e Gurudev partia um chapati ao meio, dava metade pra nós e comia a outra metade. E ficava muito feliz com a prasada!

Portanto, faça bhajana e sadhana e tente abandonar maya! Se você fica com guru e vaisnava, mas diz: “Ó Gurudev, eu estou em maya”, então qual é o significado de ficar com guru? Não! Abandone maya, cante os santos nomes, sirva guru e vaisnava, tendo sempre muito entusiasmo. Não vá para maya! Cante os santos nomes e faça bhajana e sadhana. Nesta vida, siga os quatro princípios e cante os santos nomes. Eu dou 100% de garantia: se você seguir os quatro princípios e cantar um pouco os santos nomes, na próxima vida você irá nascer em Navadvipa-dhama. 100% garantido!

O próprio Prahlada Maharaj disse para Nrsimhadev: “Pranhu, talvez eu vá para Naraka, sofrer por todas as entidades vivas, mas por favor, libere todas elas deste mundo material”. Como é possível que Prahlada vá para o inferno, ele é um suddha-bhakta (devoto puro), mas ele é humilde e por isso diz: “Prabhu, se quiser me mande para o inferno (Naraka), mas libere todas as entidades vivas”.

Nós estamos usando tulasi-mala, kanti-mala, estamos cantando…então não faça coisas tolas. Nesta vida, faça bhajana e sadhana, não faça coisas ruins. Nesta vida faça bhajana e sadhana e cante os santos nomes.

E ore a Caitanya Mahaprabhu; sempre se lembre de Caitanya Mahaprabhu, Gaurasundar. Porque, especialmente nesta Kali-yuga, o Senhor Caitanya Mahaprabhu vai liberar todos vocês. E Nityananda Prabhu prometeu: “Ó meu irmão, ó minha irmã, por favor, apenas cantem os santos nomes, que eu serei responsável por liberar vocês deste mundo material”.

Dê-me amor e afeição; não outra coisa… E cante os santos nomes.

Se vocês forem comigo ao parikrama de Jagannatha Puri, na maior parte do tempo eu cozinho e eu também distribuo a prasada aos devotos.

Eu me lembro que uma vez no Brasil, eu cozinhei para os devotos, na loja Geeta do Sundarananda Prabhu. Na época era muito bom, muitos devotos iam, em São Paulo! Era muito bom, todos os dias iam 60 ou 70 devotos, o templo era muito lindo e estava sempre cheio. E no início eu ficava a maior parte do tempo lá, pois eu viajava apenas para dois locais: Rio e São Paulo; assim eu passava um ou dois meses entre São Paulo - Rio; Rio - São Paulo. E nesta ocasião, o templo estava completamente cheio, então eu cozinhei e os devotos tomaram prasada

No outro dia, ao meio-dia, eu cozinhei, a prasada acabou, então cozinhei de novo e todos tomaram prasada. Eu separei um prato para mim e então pensei: “Ok, eu vou tomar banho”, pois eu estava muito suado e enquanto isso um devoto (que eu não vou dizer o nome) veio e pensou: “Oh! Acho que Maharaj separou este prato de prasada pra mim” e ele tomou a prasada. Quando eu voltei, perguntei: “Ei, onde está minha prasada?” e ele disse: “Maharaj, pensei que você tinha separado para mim e então eu comi”. E eu disse: “Sem problema!” e fui de novo cozinhar mais prasada.

Sacrifique esta vida para guru e Krsna e cante os santos nomes:

Hare Krsna Hare Krsna
Krsna Krsna Hare Hare
Hare Rama Hare Rama 
Rama Rama Hare Hare

Transcrição: Prem Purnad Devi Dasi
Revisão: Malini Devi Dasi e Radha Madhav Das