BHAJANA-RAHASYA PARTE 1

18/08/2017
Ucrânia

Hoje falarei sobre o Bhajana-rahasya, sobre vipralambha-bhava.

Quando o Senhor Caitanya Mahaprabhu estava no Gambhira, na maior parte do tempo se absorvia no humor de separação de Srimati Radhika. Cantando os santos nomes, um dia perguntou a Svarupa Damodara:

- Oh, como é possível cantar sudha-harinama? Ei, Svarupa Damodara! Ei, Raya Ramananda! Como o santo nome puro e prema podem se manifestar em nossos corações?

Nessa Kali-yuga não há nenhum outro processo além do cantar dos santos nomes. Sem cantar os santos nomes, prema não irá se manifestar em nossos corações.

Caitanya Mahaprabhu, de forma muito humilde disse a Svarupa Damodara:

- Trnad api sunicena: aquele que é mais humilde que uma folha de grama pode cantar os santos nomes; taror api sahisnuna: ele deve ser tolerante como uma árvore; amanina mana-dena: ele sempre dá respeito aos outros sem ansiar por nome, fama e reputação.
Então Sri Caitanya Mahaprabhu recitou os oito versos do Sri Siksastaka.
ceto-darpaṇa-mārjanam bhava-mahā-dāvāgni-nirvāpaṇan
śreyaḥ-kairava-candrikā-vitaraṇam vidyā-vadhū-jīvanam 
ānandāmbudhi-vardhanam prati-padam pūrṇāmṛtāsvādanam
sarvātma-snapanam param vijayate śrī-kṛṣṇa-sańkīrtanam
(Sri Siksastaka 1)
[“Todas as glórias ao sri-krsna-sankirtana, que limpa o coração de toda a poeira acumulada por anos, e extingue o fogo da vida condicionada, de repetidos nascimentos e mortes. Este movimento de sankirtana é a principal bênção para toda a humanidade, porque espalha os raios da boa sorte advindos da lua branca de lótus. É a vida de todo o conhecimento transcendental. Ele aumenta o oceano de felicidade transcendental, e nos permite experimentar totalmente o néctar pelo qual estamos sempre ansiando.”]


Todas as glórias ao nama-sankirtana! Os Vedas, Puranas, Upanisads e todas as escrituras glorificam nama-sankirtana.
harer nama harer nama
harer namaiva kevalam
kalau nasty eva nasty eva 

nasty eva gatir anyatha

(Brhan-naradia Purana 3.8.126)

[“Nessa era de Kali-yuga o único meio de liberação é cantar os santos nomes do Senhor. Não há outro caminho. Não há outro caminho. Não há outro caminho.”]

Nessa Kali-yuga não há nenhum outro processo para se alcançar o Senhor, apenas cantando os santos nomes! Pela realização de karma, jnana, yoga e tapasya não é possível alcançá-lO, mas com o cantar dos santos nomes, o Senhor é facilmente alcançado e  prema irá se manifestar no coração. Krsna-nama não é diferente de Krsna.

Não há diferença entre os santos nomes, Sua vigraha (deidade) e Sua forma. Três coisas não são diferentes: nama, vigraha e svarupa. Não há diferença entre os santos nomes e o próprio Senhor Hari. Quando você canta os santos nomes, significa que você está se encontrando com Krsna, pois os santos nomes são transcendentais. Não há diferença entre o corpo do Senhor e o Seu nome, ambos são iguais. E nama é rasa-vigraha, a corporificação das doçuras divinas; nama é nama-cintamani, como a pedra dos desejos. Se você desejar qualquer coisa, os santos nomes irão realizar.
nama cintamanih krishnas

caitanya-rasa-vigrahah

purnah suddho nitya-mukto

‘bhinnatvan nama-naminoh
(Caitanya-caritamrta Madhya 17.133)
[“O santo nome de Krsna é cheio de bem-aventurança transcendental. Ele concede todas as bençãos espirituais, pois é o próprio Krsna, o reservatório de todo prazer. O nome de Krsna é completo e é a personificação de toda doçura transcendental. Sob nenhuma circunstância ele se torna um nome material e ele não é menos poderoso do que o próprio Krsna. O nome de Krsna não se contamina pelas qualidades materiais, portanto ele jamais está encoberto por maya. O nome de Krsna é sempre liberado e espiritual; nunca é condicionado pelas leis da natureza material. Isso ocorre porque o nome de Krsna e o próprio Krsna são idênticos.”]

Os santos nomes de Krsna são a bem-aventurança transcendental. Eles concedem todas as bênçãos espirituais por serem o próprio Krsna, o reservatório de todos os prazeres. Purna significa “completamente puro e livre de contaminações materiais”. 

Caitanya Mahaprabhu não compôs nenhum livro, apenas recitou esses oito versos, chamados de Sri Siksastaka. Se você cantar os santos nomes, prema irá se manifestar em seu coração. Prema têm dois lados, o encontro e a separação. Bhaktivinoda Thakura explica no Bhajana-rahasya esse humor de vipralambha, que é o humor de separação entre o casal divino Sri Sri Radha e Krsna.

Sri Mahaprabhu disse:

- Ei, Svarupa Damodara e Raya Ramananda, ouçam sobre esse vipralambha-bhava, o humor de separação!

Quando Srimati Radhika está sentindo separação de Krsna, Ela sente como se milhões e milhões de eras tivessem se passado e também lágrimas escorrem dos Seus olhos, como uma chuva torrencial que cai na estação de chuvas. Assim Ela Se sente sozinha neste mundo material: 

- Oh! Não há ninguém! Estou sozinha!

Como se você estivesse sozinho, sem ninguém e no meio do oceano. Nesse momento de separação, você sente que está sozinho e que não há ninguém e por isso pensa em quem irá se abrigar.

Da mesma forma, nesse humor de separação, Sri Radha ora:

- Oh, Krsna! Estou sozinha! Quem irá Me dar abrigo?

Quando Krsna deixou Vrindavan, Srimati Radhika sentiu profunda dor de separação dEle e chorando, pensava:

- Quem irá chamar por Meu nome "Radhe, Radhe"? Quem irá Me acalmar?

Quando Krsna está em Vrindavan, Ele toca a Sua flauta e chama por Radha... Mas agora Krsna não está mais em Vrindavan e então Ela pensa: 

- Quem irá chamar por mim?

E assim Ela chora, e lágrimas escorrem de Seus olhos.

Esses tipos de humores se manifestavam em Sri Caitanya Mahaprabhu enquanto Ele permanecia no Gambhira. Isso é vipralambha (viraha). Há quatro tipos de vipralambha: purva-raga, mana, prabasa e prema-vaicittyaSukadeva Gosvamipad manifestou esse purva-raga no Venu Gita.

Srila Bhaktivinoda Thakura, em seu Bhajana-rahasya compôs um verso onde Srimati Radhika expressa tais sentimentos do âmago de Seu coração. Quando Srimati Radhika vê alguns cervos, Ela pensa:

- Oh, como são afortunados! Apesar de serem animais, podem facilmente alcançar Krsna...

Isso porque quando Krsna toca a Sua flauta, os cervos e corsas correm para vê-lO e ao se aproximarem dEle, Krsna lhes dá um tapinha em suas costas. Apesar de serem animais e não poderem falar, eles expressam seus sentimentos por Krsna através de seus olhos. Os nossos olhos dão os sinais sobre os tipos de sentimentos que temos em nosso coração; se você ficar zangado, seus olhos darão o sinal. A face é como um espelho, mas são os olhos que dão os sinais. Se você está irado, os seus olhos ficam vermelhos, e se está feliz, eles dão o sinal verde.

Quando esses cervos e corsas estão perto de Krsna e Ele dá um tapinha em suas costas, seus corações se derretem e lágrimas vertem de seus olhos. Eles apenas querem ter o darsana da forma transcendental de Krsna e se entregam totalmente a Ele, porque eles pensam que a essência da vida é Krsna. 

Qual é a essência de nossas vidas? É Krsna. Srimati Radhika recita esse verso e os animais pensam que Krsna (krsna-bhajanakrsna-bhakti) é a essência da vida. Na verdade esse é um ensinamento de que a essência da vida é krsna-bhakti, krsna-prema.

Isso significa que se você não realiza krsna-bhajana, krsna-sadhana, sua vida é inútil. Um dia abandonaremos tudo, e quem irá com você? Ninguém. Nem mesmo o seu corpo irá com você. Esposa, esposo, filhos, dinheiro, ninguém irá com você. Você veio sozinho e irá sozinho.

Krsna reside em nossos corações como paramatma, Ele é o nosso melhor amigo e Ele está sempre conosco. Mas você não está olhando para Ele. Ele está olhando para nós, mas nós não estamos olhando para Ele. Ele está chorando por nós, mas nós não estamos chorando por Ele.

Ele tem tanto amor e afeição por todas as entidades vivas e é por essa razão que Ele vem a esse mundo material; para libertá-las! Mas a alma condicionada é como um cervo que corre para o deserto. Quando um cervo fica com muita sede, ele corre em direção ao deserto, pensando que ali encontrará água, mas na verdade, não existe água no deserto; isso é só uma ilusão. Ele corre em direção ao deserto e como está muito quente, depois de alguns minutos ele morre. 

Esse mundo material é como um deserto para o qual todos nós estamos correndo, mas Sri Caitanya Mahaprabhu tem muito amor e afeição pelas entidades vivas e assim Ele corre atrás de nós.

No Srimad Bhagavatam, 11º canto, Nimi Maharaj pergunta:

- Nessa Kali-yuga, quem irá se manifestar como o Senhor?

Ele libertará as entidades vivas; Ele correrá atrás delas. Esse mundo material é como o deserto e nós estamos correndo atrás dele, porque a alma condicionada quer ter gratificação dos sentidos. E o que se ganha com a gratificação dos sentidos? Nada. Mas Caitanya Mahaprabhu diz:

- Não! Não! Não vá para o deserto! Apenas vire a sua direção para Mim.

Nesse verso é explicado claramente que Caitanya Mahaprabhu apareceria nessa Kali-yuga como Sri Caitanya Mahaprabhu. Ele aparece em três formas: nama, vigraha e svarupa. E Caitanya Mahaprabhu promete que libertará todas as entidades vivas através do nama-sankirtana.

Srimati Radhika diz para as Suas amigas:

- Oh! Veja como esses cervos são afortunados, pois correm atrás de Krsna!

Mas nós não podemos nos encontrar com Krsna porque somos esposas de outros e especialmente porque somos mulheres. Nós não podemos abandonar a nossa modéstia e todas as regras da sociedade.

Srimati Radhika pensa:

- Oh! Talvez com esse corpo de gopi não seja possível se encontrar com Krsna, então podemos orar para Brahma (o criador do universo material) e pedir para que nos dê um corpo como o de um corsa!

Quando esse maha-bhava se manifesta, Ela pensa: 

- Nesse corpo humano é tão difícil se encontrar com Krsna, pois há tantos obstáculos!

Em nossa vida há tantos obstáculos para se encontrar com Krsna. Especialmente na sociedade, há muitas regras e regulações que nos impedem de sair de casa. Especialmente a sogra, a cunhada, o marido, todos eles são obstáculos para que possamos nos encontrar com Krsna.

Os maridos falam:

- Não! Não saia da casa!

A sogra e cunhada de Srimati Radhika, Jatila e Kutila, também sempre checam se Ela está em casa e dizem:

- Não! Não saia de casa!

“Kutila” quer dizer que em casa ela está sempre fazendo um som “kut, kut, kut, kut”. E “Jatila” significa “aquela que sempre faz uma falsa propaganda”. Nesse mundo material sempre há aqueles que fazem uma falsa propaganda.

Da mesma forma, as gopis pensam que com seus corpos femininos não é possível se encontrarem com Krsna. Então elas dizem que, se orarem para Brahma, o criador, talvez quando abandonarem seus corpos, elas possam receber corpos como os das corsas, para poderem se encontrar diretamente com Ele.

Às vezes Srimati Radhika pensa:

- Como posso servir a Krsna? Ah! Servirei a Krsna com todos os elementos do Meu corpo!

Há cinco elementos nesse corpo.

Então Srimati Radhika pensa:

- Ah! Quando Eu abandonar este corpo, a água irá se juntar ao Pavan-sarovar onde Krsna toma banho e assim Eu também servirei a Krsna! A terra deste corpo irá se juntar à terra do jardim de Nanda Maharaj e Krsna caminhará por lá. Neste Meu corpo também há fogo e ele irá se misturar aos raios do sol. Especialmente na estação do inverno, quando Krsna estiver tomando o Seu banho de Sol, dessa forma Eu poderei servir a Krsna. O ar deste corpo irá se misturar ao ar e quando Krsna estiver brincando com os seus amigos, eles irão abaná-lo e então o ar dará prazer a Krsna! E o Meu corpo também sendo espaço (éter), irá se juntar ao jardim de Nanda Maharaj e ali Krsna caminhará; dessa forma poderei servir a Krsna!

Dessa maneira Srimati Radhika sente separação de Krsna e pensa, dia e noite, como Ela pode servir a Krsna. Vipralambha-bhava, esse humor de separação significa como servir diretamente a Krsna. A palavra em sânscrito é viraha. Vi quer dizer “especial e raha, “encontro”. Geralmente viraha quer dizer “separação”, mas também significa “encontro especial”. Às vezes o encontro é físico, mas na hora do viraha, Eles Se encontram através da mente; Se encontram através dos Seus sentimentos, bhava.

Srila Bhaktivinoda Thakura explica que, quando o sadhaka faz seu sadhana e bhajana, cantando os santos nomes, ele deve se lembrar desses sentimentos, porque sem vipralambha o encontro não crescerá. Vipralambha sempre nutre o encontro; então esse humor sempre fresco e novo, nutre o coração.

Assim como se você colocar a roupa branca na tinta açafrão, a cor ficará mais e mais brilhante e muito iluminada. Da mesma forma, a separação nutre o encontro. Outro exemplo, quando você está com muita fome, então vem um gosto por comer; mas quando não estiver com fome, mesmo que haja muitas e muitas preparações, você não terá gosto por comer. Assim a separação nutre o encontro.

As gopis sentem a separação por Krsna e ao mesmo tempo, em suas mentes, elas se encontram com Ele. Apesar de estarem em suas casas, em suas mentes elas sempre se lembram de Krsna.

O ensinamento então é de que o sadhaka deve sempre cantar os santos nomes e deve sempre se lembrar de Krsna. Seu corpo está aqui, mas em sua mente sempre se lembre de Krsna e sinta a separação!

Quem irá sentir separação de Krsna? Aquele que tem sambandha-jnana; aquele que tem  conhecimento acerca do relacionamento com Krsna irá sentir a separação dEle.

Primeiro deve-se ter o conhecimento do relacionamento com Sri Guru e Sri Krsna, e assim você irá sentir separação de Sri Krsna. Por essa razão Sri Guru dá o mantra [diksa], porque através do cantar do mantra, se obtém o conhecimento do relacionamento, sambandha-jnana. Gurudeva é sambandha-parvata, aquele que dá o conhecimento do relacionamento com Krsna e o guru dá esse conhecimento através do mantra. Se você canta continuamente o gopala-mantra e gayatri-mantra, gradualmente você terá esse relacionamento com Krsna; por isso nunca deixe de cantar o mantra que o guru lhe deu!

[Um discípulo pergunta:
- O maha-mantra Hare Krsna?]

hari-nama Hare Krsna na verdade dará prema; Krsna-nama dará tudo. Darpana marjana: ele irá remover os anarthas do coração, mas Krsna-nama tem a especialidade de conceder prema e essa é a diferença entre nama e mantra [diksa]. 

Apesar de não haver diferença entre nama e mantra, nossos acaryas explicam que cada um tem sua especialidade. Quando você está cantando o gopala-mantra: “Krsna Govinda Gopi-jana Valabha” e você diz “svaha”, isso significa: “Eu me ofereço a Krsna Govinda Vallabha”. Isso é sarmapaya, rendição. O maha-mantra dá esse conhecimento direto; em sânscrito a palavra é sambandhaSe alguém está distante, você deve chamá-lo com um relacionamento, humor de sakhya, vatsalya ou madhurya.

O maha-mantra significa:

Radhe Krsna Radhe Krsna 
Krsna Krsna Radhe Radhe

Se o nome de seu filho for Gopal e se ele estiver distante de você, como você irá chamá-lo? “Ei, Gopal!” Mas por ter conhecimento acerca do relacionamento, o vatsalya-bhava surge: “Ele é meu filho!”.

Mãe Yasoda chama Krsna: “Ei, Krsna! Vem aqui!”. Seu humor é parental, vatsalya-bhava

Subal e Sridhama também chamam: “Ei, Krsna!”. O humor deles é sakhya-bhava; é o mesmo nome [Krsna], mas são sentimentos diferentes. 

As gopis também chamam: “Ei, Krsna!” e aqui o sentimento é de madhurya-bhava, o humor conjugal.

O primeiro mantra dá o conhecimento do relacionamento e o namaprema. Esse é o processo. Cantar o gayatri-mantra, gopala-mantra, guru-mantra, kama-gayatri, para alcançar sambandha-jnana.

O maha-mantra concede prema.

Mahaprabhu diz:

- Ao cantar esse mantra, às vezes Eu dou risada, às vezes Eu choro, às vezes Eu rolo no chão...

Esse é o sintoma de prema. E então Ele diz:

- Eu não estou chorando; são os santos nomes que Me fazem chorar. Eu não estou dançando; é o maha-mantra que me faz dançar.

Quando prema se manifestar em seu coração, na verdade você não irá chorar, mas serão os santos nomes que farão você chorar. Agora você está cantando os santos nomes e é difícil cantar Hare Krsna Hare Krsna; às vezes vem um gosto e às vezes não. Mas quando o sudha-nama se manifestar, ele irá dançar na sua língua e será então muito difícil parar, porque não há diferença entre nama e Krsna. 

Ao cantar sudha-nama, as lilas de Krsna irão se manifestar. Em alguns momentos as lilas de encontro e às vezes lilas de separação. Quando as lilas de encontro se manifestarem, você irá sorrir e quando as lilas de separação surgirem, você irá chorar.

Ao cantar o mantra hoje, muitos desejos materiais vêm à tona e às vezes você nem se lembra qual mantra estava cantando. Às vezes você dorme no meio do cantar, volta e esquece, no meio do mantra, qual estava cantando; ou em qual volta da japa você está e esquece tudo. Às vezes você está meditando em Krsna? Não. Às vezes está meditando em si mesmo! Às vezes o devoto está cantando o mantra por uma hora, mas está meditando em Krsna? Não. Não há nenhuma meditação ali, mas quando prema surgir, automaticamente todas as lilas surgirão em seu coração.

Sri Caitanya Mahaprabhu diz:

- Eu não sei o que ocorre quando canto os santos nomes! Automaticamente lágrimas vertem de Meus olhos. Às vezes Eu rio, às vezes choro...

E chorando, Sri Caitanya Mahaprabhu voltava de Gaia, de Seu encontro com Isvara Puripad. Ele vivia absorto em Krsna e naquele momento estava absorto no humor de separação, com o sentimento de Srimati Radhika.

- Oh, agora Krsna deixou Vrindavan e Srimati Radhika está sozinha, então quem irá Me dar abrigo? Oh, Eu Sou Radha e então talvez as minhas amigas gopis possam Me dar abrigo. Oh, gopis! Gopis! Gopis!

E nessa hora um brahmana perguntou:

- Oh, Nimai, por que Você está clamando pelo nome das gopis? Você deve chamar pelo nome de Krsna, pois isso é afirmado por todos os Vedas, Puranas e Upanisads!

Sri Caitanya Mahaprabhu ficou muito zangado e respondeu:

- Krsna é um grande enganador! Por que você está chamando o nome dEle? Eu quero é esquecer o nome de Krsna, pois Ele é um grande traidor! Eu não quero cantar Seu nome!

Mas o brahmana não sabia do sentimento interno de Mahaprabhu e repetidamente dizia:

- Não! Você deve cantar krsna-nama! Todos os Vedas, Puranas e Upanisads afirmam isso!

Sri Caitanya Mahaprabhu então pegou uma vara e tentou bater naquele brahmana, que saiu correndo, pensando que  Nimai  era muito arrogante. O brahmana então chamou os outros brahmanas para baterem em Nimai, dizendo que Mahaprabhu estava pregando o oposto do que eles pregavam, pois antes Ele dizia: “Cantem os nomes de Krsna”, mas agora estava dizendo: “Não! Não cantem os nomes de Krsna!”. Mas aqueles brahmanas não conheciam o coração de Mahaprabhu e o Seu humor interno.

O humor de separação significa isso, às vezes o encontro e às vezes separação. Continuamente cantando e servindo os santos nomes, gradualmente os anarthas (coisas indesejadas) serão removidos do coração e o sadhaka irá realizar a sua sidha-deha, forma transcendental, e então sentirá separação de Krsna e sambandha-jnana virá.

O dever do sadhaka é pensar em como remover os anarthas do coração, como a luxúria, a inveja, a ira, etc. E como fazer isso? Cante os santos nomes!


Hare Krsna Hare Krsna
Krsna Krsna Hare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama Hare Hare

Cante os santos nomes com o humor de separação, vipralambha-bhava, porque nós estamos muito distantes de Sri Krsna. Krsna é o nosso verdadeiro pai, krsna-pitta e a nossa verdadeira mãe, krsna-matha. Ele é nosso verdadeiro amigo. Portanto, vipralambha-bhava: primeiro devemos sentir a separação por Sri Krsna. Você não está sozinho! Sri Guru e Sri Krsna sempre estão com você.

Krsna-nama significa o próprio Krsna. O sadhaka sempre deve sentir separação por Krsna! Cante os santos nomes e seja feliz! Por um tempo ilimitado estamos vagando por nascimentos e mortes, mas se você cantar os santos nomes, esse ciclo irá acabar, você não terá que voltar a esse mundo e irá alcançar Goloka Vrindavan. Apenas tenha fé.

Ajamila deu a seu filho o nome de Narayana e assim abandonou esse mundo material, alcançando Vaikuntha. Mas nosso objetivo principal é ir para Goloka Vrindavan e especialmente servir Srimati Radhika sob a orientação de Sri Rupa Manjari. Muito cuidadosamente cante os santos nomes, assim como Srila Rupa Gosvamipad orienta no Sri Upadesamrta:
tan-nama-rupa-caritadi-sukirtananu- 

smrtyoh kramena rasana-manasi niyojya

tisthan vraje tad-anuragi jananugami

kalam nayed akhilan ity upadesa-saram
(Sri Upadesamrta 8)
[“A essência de todos os conselhos é que se deve passar todo o seu tempo, vinte e quatro horas por dia, cantando e se lembrando dos nomes divinos. A forma transcendental, as qualidades, e os passatempos eternos do Senhor. Assim, gradualmente ocupando a sua língua e mente. Portanto é preciso residir em Vraja e servir a Krsna sob a orientação de devotos. Deve seguir os passos dos adorados devotos do Senhor, aqueles que estão imensamente apegados a Seu Serviço devocional.”]

Sri Krsna Gopala Hare Mukunda
Govinda He Nanda Kisora Krsna
Ha Sri Yasoda Tanaya Prasida
Sri Ballavi Jivana Radikesa


Cante os santos nomes com fé firme, sirva Sri Guru e seja feliz. Essa é a meta de nosso bhajana e sadhana. E se o sono vier, castigue os olhos e diga: “Oh, olhos, não durmam!”

No Janmastami eu não consegui dormir; viajei de avião e ainda não dormi e estou dando continuidade nos hari-kathas. Eu também estou cansado, porque o corpo quer descansar, todos querem descansar, mas qual é o melhor lugar para descansar? Vrindavan! Se você for para Vrindavan, irá dormir bem tranquilamente, mas ao mesmo tempo não conseguirá dormir, pois se está sempre servindo a Krsna e nessa hora o sono não virá.

[Uma discípula diz: 
- No corpo de Kali-yuga é muito difícil...]

Mas Kali-yuga é também muito misericordiosa! Em Kali-yuga, ao cantar os santos nomes, muito facilmente você alcança Krsna!

Gaura Premanande Hari Hari bol!

Transcrição: Manjari Priya Devi Dasi
Revisão: Lalit Kishor Das e Vraja-sundari Devi Dasi

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