O SIGNIFICADO DO AMOR

12/02/2018
São Paulo/SP


Eu estou muito feliz, vejo que todos vocês são muito entusiasmados com a missão de nosso Srila Gurudeva. E o tempo é bem curto, está passando tão rápido, já foram quase três meses e como se passaram eu não consigo entender. É como se tivessem passado apenas três dias. Eu cheguei ao Brasil em dezembro. Dezembro, janeiro e fevereiro, três meses quase. O tempo é muito rápido, ele não espera por ninguém. E especialmente porque estou ficando na companhia de vocês, que são todos devotos de Gurudeva, Caitanya Mahaprabhu, Nityananda Prabhu, eu não consegui perceber a trapidez com que o tempo passou.

Hoje é meu último dia aqui, estou indo para a Holanda, e depois de cinco dias terei que voltar à Índia. Vocês são muito gentis por me darem a sua associação, sanga. Bhaktisiddhantha Prabhupada, humildemente falou: “Eu não tenho bhakti, não tenho nada, mas os devotos são muito misericordiosos, eles estão sempre me engajando a ouvir krishna-nama e krishna-katha”. Sem bhakta-sanga, a vida é inutil.
‘sādhu-saṅga’ ‘sādhu-saṅga’ - sarva-śāstre kaya
lava-mātra sādhu-saṅge sarva-siddhi haya
(CC Madhya 22.54)
[“O veredito de todas as escrituras reveladas é que, mesmo por um momento de associação com um devoto puro, todo o êxito pode ser alcançado.”]

Todas as escrituras reveladas: Vedas, Puranas, Upanisads e todas as outras, glorificam a associação com o sadhu, sadhu-sanga. Porque quando estamos na companhia de um sadhu, nós nos esquecemos até mesmo que dia é hoje. Na verdade, não consigo me lembrar se hoje é domingo, segunda ou terça-feira. Eu esqueci, porque não é preciso ficar pensando sobre os dias. Nós temos harikatha, harinama, bhakta-sanga... Estou permanecendo com vocês e todos falam harikatha muito docemente, então estou pensando em como vocês são joias de Gurudeva. Na verdade, essas são as glórias de Srila Gurudeva.


‘Mahat-sangama-māhātmyam' – Srila Sanatana Goswamipada muito claramente explica no Brhad Bhagavatamrta a influência da companhia com um sadhu, sadhu-sanga. Por um momento ou até mesmo meio momento na associação com um sadhu, sua vida já se torna exitosa. Srila Gurudeva repetidas vezes nos lembra a respeito desse mundo material: todas as coisas materiais, nós só conseguiremos de acordo com o fruto das nossas atividades passadas, karma. Isso é algo previsto e predestinado. Você não conseguirá obter nem menos, nem mais do que deve obter,  pois tudo já está fixo para você. Saúde, dinheiro, esposa, filhos, conta bancária, cartão de crédito, muitas coisas desse mundo material das quais você deseja, tudo está reservado para você, está previsto e predestinado. Você apenas não sabe por conta própria, mas é verdade. Tudo está previsto e predestinado. Hoje você tomará prasada ou não? Isso já está fixo, se for seu destino não tomar prasada hoje, então você não conseguirá tomar. Talvez uma mensagem chegue lhe chamando e você terá que ir embora. O senhor Caitanya Mahaprabhu falou, muitos tipos de comidas deliciosas virão, mas sem o desejo do Senhor, bhagavat-iccha, você não pode comer nem aceitar nada. Mas sadhu-sanga e harikatha são muito, muito raros. Isso não depende do seu karma, só depende da sua sukriti (atividades espirituais passadas).
bhaktis tu bhagavad-bhakta-
sangena parijayate
sat-sangah prapyate pumbhir 
sukrtaih purva sancitaih
(Hari-bhakti-vilasa 10.279)
[“Bhakti é despertada com a associação dos devotos puros de Sri Bhagavan. A associação com suddha-bhaktas é obtidas pelo acúmulo de atividades piedosas transcendentais, realizadas durante muitas vidas.”]

Quando a sua sukriti amadurecer e estiver acumulada, então você terá a associação com um sadhu; não por meio do seu karma ou pelo fruto das várias ações fruitivas passadas. Então por isso, no Caitanya Bhagavata, Vrindavana Dasa Thakura também explica que de acordo com o fruto das nossas ações passadas, por todas as vidas teremos pais e todas essas coisas materiais, mas guru e Krishna, isso é muito, muito raro; nós não conseguimos obter isso em todas as vidas. E por isso nós temos que praticar bhajana e sadhana sob a guia de gurudeva, então nossa vida será exitosa.

Sadhu-sanga e Harikatha são a essência da vida. ‘Mahat-saṅgama-māhātmyam.’ - com a influência de tal associação com um sadhu, Gopa Kumara contou a sua própria história de vida para o seu discípulo, Mathura Brahmana. “Ei Mathura Brahmana, ouça: estou me encontrando com você agora, mas não pelo meu desejo, tive que vir aqui somente devido a instrução de Srimati Radhika”. Então Gopa Kumara falou sobre sua própria história e sobre a sua forma transcendental, a sua siddha-deha, que se chama ‘Svarupa’.

Gopa Kumara falou: “Em Vrindavana, de manhã cedo, eu me preparava para ir pastorear as vacas junto com Krishna e todos os meus amigos: Subal, Sridhama, Madhumangala, Lavanga, etc”.

Srila Sanatana Goswami explica muito belamente sobre quando Krishna vai pastorear as vacas, e como naquele momento todos os seus sakhas estão bem próximos dEle. Na frente deles, todas as vacas estão correndo, e atrás todos os bezerrinhos correm também. E Subal, Sridhama, Madhumangala os estão perseguindo. Então Baladeva Prabhu chega, e atrás dele, Krishna. Mas todas as vacas e bezerros não conseguem correr sem Krishna. Mesmo assim, Krishna continua falando: “Sigam em frente, vão, vão, chalo, chalo!”. E todas as vacas estão fazendo muitos sons e elas apenas viram os seus rostos para poderem olhar a bela forma de Krishna.

Quando Krishna usa essas palavras ‘Chalo, chalo!’, ou seja: ‘Sigam em frente, prossigam!’, naquele momento essas doces palavras entram nos ouvidos das vacas e os seus corações se derretem, simplesmente por virarem suas faces e olharem para a bela forma de Govinda. As suas mentes e corações estão completamente roubados por Krishna. Por isso elas não se vão e nem se mexem, mas quando Krishna continua falando ‘Chalo, chalo’, as vacas e os bezerros levantam as suas patas e correm adiante.

Quando os vrajavasis estão pastoreando as vacas, eles usam essa linguagem de Vraja, gritando: “Niri niri! Tiri tiri!” para poderem controlar as vacas. ‘Niri niri’ significa ‘Bebam a água do lago’ e ‘Tiri tiri’ significa ‘Saiam do lago, vamos embora’. As vacas conhecem essa linguagem, que é muito doce; é a linguagem de Vraja. Então quando as vacas estão sendo pastoreadas e elas ficam correndo rapidamente, muita poeira sobe de seus cascos e logo o céu fica totalmente coberto pela poeira de Vraja.

Nesse meio tempo, Gopa Kumara falou: “Ei Mathura Brahmana, eu também me vesti bem rapidamente e fui pastorear as vacas com Krishna, mas nessa hora Srimati Radhika se aproximou de mim. Ela é a personificação da compaixão. Então só de me ver, Ela logo disse: ‘Venha’. Quando Ela chegou bem perto de mim, falou: ‘Ei Svarupa, hoje você não irá pastorear as vacas com Krishna’, mas naquele dia eu estava tão entusiasmado para ir! Mesmo assim, Srimati Radhika falou: ‘Ei Svarupa, Gopa Kumara, hoje você não deve ir pastorear as vacas, você deve ir para a Vrindavana material, no mundo material. O seu discípulo Mathura Brahmana, seu nome é ‘Janaśarma’, você deve trazê-lo aqui’”.

“Srimati Radhika me deu essa ordem, porém eu não esperei pelas instruções de Krishna. Até mesmo por pensar que Krishna é o meu amigo do peito, não esperei pela Sua ordem. Mas por que eu fiz isso? Porque eu sei que Srimati Radhika é quem controla Krishna, então a ordem de Srimati Radhika significa também a ordem de Krishna. E naquele momento eu senti a dor da separação de Krishna. Ele fora com os seus amigos correndo atrás das vacas e bezerros, e quando eu olhei a Sua belíssima forma, muito misericordiosamente Ele virou a sua face em minha direção, e lágrimas rolaram do seu rosto, porque Ele também estava sentindo separação de mim. Mas como aquela era uma ordem de Srimati Radhika, então Krishna não me disse nada. Quem cala consente. Mas Krishna estava sentindo separação de mim, então naquele momento eu apenas cantei: 

Govinda Damodara Madhaveti
Govinda Damodara Madhaveti
Hey Krishna, Hey Yadav, Hey Sakheti
Govinda Damodara Madhaveti”

Gopa Kumara continuou: “Ei Mathura Brahmana, então eu me virei para olhar a face de lótus de Srimati Radhika, e Ela também estava sentido separação de mim. Mas Ela é karuna-mayi, Ela é a personificação da compaixão. Então Ela me disse com uma voz muito, muito suave: “Ei Svarupa, ei Gopa Kumara, esse é o seu dever e responsabilidade. O amor não insiste em prezar pela própria felicidade. Amor significa sacrificar tudo pelo outro”.

Nesse mundo material, até mesmo com o amor material, nós temos que nos sacrificar. O que vocês sacrificam pelos seus amigos? Sobre o amor transcendental, vocês não podem compreender, mas sobre o amor material, vocês têm alguma realização. Se você ama alguém, primeiro deve sacrificar o seu tempo. Você é ocupado, tem sempre muitas coisas a fazer. Talvez você possa ser um médico ou advogado, mas o seu amor por alguém faz com que você se sacrifique, dando para essa pessoa o seu tempo e amor. Porque o amor não é buscar a sua própria felicidade; o amor é buscar sempre a felicidade de sua ista-deva.

Uma vez, um homem tinha perdido o seu burro; ele o estava procurando em todo lugar, mas não podia achá-lo. Então, subiu no topo de uma árvore, pensando: “Meu burro deve ter ido muito longe, então talvez daqui eu possa ver”.

Ele subiu no topo de uma árvore e continuou pensando: “Onde está o meu burro? Onde?”. E nesse meio tempo um casal estava sentado embaixo daquela árvore. Vocês sabem melhor do que eu, quando o amado e a amada se encontram, o que eles falam? Eles simplesmente glorificam as suas partes do corpo. “Oh, como os seus olhos são bonitos, o seu nariz, o seu cabelo encaracolado...”. Dessa forma, os dois estavam a glorificar um ao outro.

Enquanto conversavam, o namorado falou para a namorada: “Ei, os seus olhos são tão bonitos e atrativos. Eu nunca tinha visto esse tipo de olhos, são belíssimos, como o lótus desabrochado. Qual é o seu nome? Seu nome deve ser Kamala Nayani, ‘aquela cujos olhos são como o lótus desabrochado’”. E assim ele continuou a glorificando e glorificando, e disse: “Eu consigo ver tudo através dos seus olhos!”. Naquele momento, o indivíduo que estava no topo da árvore gritou: “Ei! Você está vendo tudo dentro dos olhos dela?! Então você deve estar vendo o meu burro! Por favor me diga, onde está o meu burro?!”.

Nesse mundo material, isso é o que chamamos de ‘palavras frívolas’, não é a verdade perfeita. Aqui nesse mundo material, as pessoas são muito boas em falar essas palavras frívolas, mas no mundo trancedental, onde existe o amor divino, não existe nem um traço dessas palavras.

Srimati Radhika disse: “Ei Svarupa, ei Gopa Kumara, esse é o seu dever. Eu sei que você está sentindo saudade de Krishnam e o seu amigo Krishna também está sentindo saudade de você. Mas eu amo Krishna, desse mesmo modo, estou sentindo saudade de você também. Mas oh, Gopa Kumara, você tem que ir à essa Vrindavana no mundo material, e você deve trazer o seu discípulo Janaśarma, o Brahmana de Mathura. Agora ele é qualificado, mas sem a sua associação ele não conseguirá retornar até aqui, porque você tem um relacionamento com ele. Nem mesmo Krishna poderá trazê-lo, então se você não for, como ele voltará para cá? Apesar de Krishna possuir Sua potência inconcebível, chamada acintya-sakti... Com essa potência Ele pode trazê-lo até aqui, pois Krishna é Bhagavan, Ele faz do impossível possível, e do possível impossível. Mas Krishna não faz uso dessa potência sempre”.

Quando Gopa Kumara chegou em Vaikuntha-dhama, naquele momento o Senhor Narayana falou pessoalmente a ele: “Ei Gopa Kumara, você sabe como chegou até aqui nessa Vaikuntha-dhama? Na verdade, você não possui sukriti, você não realizou nenhuma atividade piedosa. Eu trouxe você aqui através de Minha potência inconcebível. Ei Gopa Kumara, ouça! Por muito tempo Eu estou observando você e pensando em trazê-lo para a minha cit-dhama, Vaikuntha-dhama. Mas você não realizou nenhum sat-karma (bom karma), nem karma, tapasya ou yoga, você não realizou nenhum tipo de atividade piedosa. Você nem ao menos virou o seu rosto para a Minha direção, pois estava completamente influenciado por maya. Mas eu continuava pensando: ‘Tenho que liberá-lo desse mundo material’. Eu fiz esse voto de te liberar, mas você não virou o seu rosto na Minha direção. Finalmente, eu usei essa acintya-sakti, Minha potência inconcebível, e então eu fiz com que você pudesse nascer em Govardhana, no colo de Giriraja Govardhana. E também na dinastia dos gopas, a dinastia dos vaqueiros. Mas mesmo assim você não virou o seu rosto na Minha direção. Porque quando você nasce em Vraja, é comum pensar que não é necessário realizar bhajana e sadhana”.

Então o Senhor Narayana continuou: “Ei Gopa Kumara, Eu estava pensando em como poderia te liberar. Eu te dei tudo: nascimento no colo de Giriraja Govardhana, na dinastia dos gopas, você pastoreava as vacas, mas mesmo assim você não virou o seu rosto para Mim. Você nasceu em Vrindavana, em Giriraja Govardhana, e ainda sim, você não realizou nenhum bhajana e sadhana e nem praticou qualquer tipo de atividade piedosa”.

Se você for para Vrindavana, Vraja, verá que muitas pessoas nunca praticaram bhajana e sadhana, e também nunca fizeram nenhum parikrama de Govardhana, nenhum.

Por trinta e cinco anos eu vivi em Vraja, e toda manhã eu costumava ir às casas dos vrajavasis e perguntava: “Ei, você já circungirou Giriraja Govardhana alguma vez na sua vida?” e eles falavam: “Não, nunca”. As pessoas estão nascendo em Vraja,  mas não estão praticando bhajana e sadhana, não estão tendo nenhum relacionamento com Krishna.

Talvez você vá até Vraja e pense: “Todas essas pessoas estão praticando bhajana e sadhana”, mas não, isso não é verdade. Muitos vrajavasis não possuem nenhum tipo de relacionamento com Krishna e não estão nem praticando qualquer tipo de bhajana e sadhana. Alguns estão até mesmo matando as vacas, comendo carne, bebendo álcool. 

Então dessa mesma forma, Sanatana Goswami continuou narrando o que o Senhor Narayana estava falando para Gopa Kumara: “Eu lhe dei um nascimento em Vraja, na dinastia dos vaqueiros, pastoreando as vacas, mas mesmo assim você nunca praticou nenhuma atividade piedosa. Se ao menos um dia você tivesse circungirado Giriraja Govardhana,  Eu poderia ter te liberado, mas você nunca o fez”. 

Por que o Senhor deu tanta atenção para ele? 

Então o Senhor Narayana falou para Gopa Kumara: “Eu não sei, é somente isso, tenho amor e afeição espontâneos por você”. 

Mas existem tantas entidades vivas, por que somente com ele? Sanatana Goswami explica que você não pode usar argumentos lógicos para explicar esse tipo de coisa. Porque algumas vezes o Senhor tem misericórdia espontânea por alguma jiva. Mas você não consegue conceber isso. Pois isso se dá a partir da chamada ‘potência inconcebível’ do Senhor, acintya-sakti. 

Se você ler o Brhad Bhagavatamrta de Sanatana Goswami, você entenderá isso. O próprio Senhor disse: “Ei Gopa Kumara! Eu tenho amor e afeição espontâneos por você, pois Eu fiz um voto de que iria te liberar. Por isso Eu descendi de Vaikuntha-dhama na forma de seu guru, ‘Jayantha’. E eu passei um tempo cantando este mantra à beira do Yamuna:

Sri-Krishna Gopala Hare Mukunda
Govinda He Nanda-Kishora Krishna
Ha Sri-Yasoda-Tanaya Prasida
Sri-Ballavi-Jivana Radhikesa

Ei Gopa Kumara, Eu também Me manifestei na forma de seu guru Jayantha, e continuei pensando que você deveria vir até as margens do Yamuna, mas mesmo assim você não veio. Você estava pastoreando as vacas, então talvez você pudesse ter sede, e Eu esperava que você viesse. Talvez bebendo apenas uma gota de água do Yamuna você realizaria enfim uma atividade piedosa e eu poderia te liberar, mas não, você não veio”.

Se você vai a Vrindavana, Vraja, e pergunta para os vrajavasis, muitos deles te dirão que não se banham no Yamuna. Por que? Devido a sukriti. Vocês estão pensando: “Oh, eles são muito afortunados”, mas não, vocês é que são muito afortunados! Se vocês forem até Vraja e fizerem uma pesquisa perguntando para as pessoas: “Quantos dias você está indo ao parikrama de Govardhana?” ou: “Quantos dias você toma banho no Yamuna?”, muitas pessoas dirão: “Nenhum dia”, “Eu nunca fui”. O Senhor misericordiamente lhes deu o nascimento em Vraja, mas eles nem sequer estão aproveitando a oportunidade. 

Então Sanatana Goswamipada segue narrando o que o Senhor Narayana disse: “Eu apareci na forma de seu guru, só fiquei esperando o dia em que você viesse às margens do Yamuna beber uma gota da água de lá e então eu te capturaria. Mas você não veio. Então fiquei pensando: ‘O que posso fazer agora?’. Eu fiz com que você nascesse ao colo de Giriraja Govardhana, na dinastia dos gopas, você estava sempre a pastorear as vacas, mas mesmo assim você não veio à minha frente. Então novamente eu usei a minha potência inconcebível, acintya-sakti, para atrair você. Nesse momento então você ficou completamente absorto no cantar desses Meus santos nomes.

Sri-Krishna Gopala Hare Mukunda
Govinda He Nanda-Kishora Krishna
Ha Sri-Yasoda-Tanaya Prasida
Sri-Ballavi-Jivana Radhikesa

Ao cantar desse som transcendental, através de Minha potência inconcebível, o mesmo entrou pelos seus ouvidos e o trouxe até Mim. Assim, um dia você veio bem próximo a Mim. Eu sei de tudo, porque sou Bhagavan, você deve saber que Eu possuo duas qualidades”. 

Quais são as duas qualidades de Bhagavan? Sarvajnata e mugdata. Ele é onisciente e ao mesmo tempo, inocente. 

“Com todo o Meu poder, Eu sei quem vem diante de Mim”. Vocês não podem enganar guru e Krishna, porque sarvajnata está contido dentro Deles e simultaneamente há mugdata, inocência. Por isso ele estava cantando esse mantra: ‘Sri-Krishna Gopala Hare Mukunda’...

Então o Senhor Narayana disse: “Ei Gopa Kumara, Eu fiquei completamente absorto em um humor estático ao cantar os Meus próprios santos nomes. Então pela minha acintya-sakti eu trouxe você até Mim e você logo se sentou à minha frente”.

Algumas vezes as almas condicionadas chegam bem próximas do sadhu e pensam: “Esse sadhu não é bom”. Mas esse guru, Jayantha, disse: “Eu não permito que você saia da minha frente, porque Eu estou usando a minha potência inconcebível, essa rama-bana”.

Rama-bana, as flechas de Sri Bhagavan Rama. Na aljava de Rama só existe uma flecha, mas quando ele pega uma flecha, automaticamente outra aparece lá. Sempre existe uma única flecha. Significa que toda vez em que Ramacandra atira Sua flecha, ele sempre a acerta bem no alvo, nunca erra. Por isso é dito que essa rama-bana, é como um míssil. Jamais erra, é infalível. 

E o Senhor Narayana continuou falando: “Então por essa Minha acintya-sakti, você parou à Minha frente e começou a notar as Minhas atividades. Dessa forma Eu limpei todo o seu coração, toda a poeira do seu coração, através de Meu nama-sankirtanaIsso é nama-sankirtana: ‘Sri-Krishna Gopala Hare Mukunda’...

“Então através desse nama-sankirtana, Eu limpei completamente o seu coração e assim você se tornou plenamente apegado a Mim”.

Sanatana Goswamipada diz: “Como alcançar o Senhor? Qual é o processo de bhajana e sadhana? As almas condicionadas não possuem gosto por cantar os santos nomes, não possuem gosto por cantar os gayatri-mantras, nada. No Srimad Bhagavatam é dito que nessa Kali Yuga, as almas condicionadas têm milhões e milhões de falhas. Se uma falha é resolvida, então outra falha logo aparece. É muito difícil seguir as regras e regulações. Mas isso não quer dizer que eu esteja falando para não seguirem nenhuma regra e regulação, por favor não interpretem erroneamente minhas palavras.

Mas no Srimad Bhagavatam é dito que nessa Kali Yuga, as almas condicionadas possuem inúmeras falhas. Elas não possuem gosto pelo cantar dos santos nomes, elas não querem seguir nenhuma regra ou regulação, elas não desejam fazer nenhuma dessas coisas. Então o que fazer? Como elas se libertarão desse mundo material?

Logo Sanatana Goswamipada deu a conclusão da seguinte forma: “Se você fizer amizade com um devoto puro do Senhor, então sua vida será exitosa”. Mas criar essa amizade com o devoto puro significa vê-lo como se ele fosse de sua própria família e assim será muito fácil alcançar o Senhor. Como nós faremos isso? Se ele está sentindo alguma dor, você sentirá também. Se ele está sentindo felicidade,  você se sentirá feliz também. Como se você fosse apenas uma marionete.

Então Sanatana Goswamipada finalmente deu esse exemplo: as vraja-gopis nunca pensam que Krishna é Bhagavan. Todos aqueles que são associados eternos de Krishna, nitya-sidha parikaras, sobre esses não falarei nada a respeito. Mas aqueles que são sadhana-sidhas estão sempre pensando que Krsna é como um membro de suas famílias.

Pariksit Maharaj também ficou muito surpreso: “Como é possível que eles se libertem desse mundo material? Eles não possuem nenhum brahma-jnana?”.

Então Sukadeva Goswami ficou muito bravo e falou: “Eu já falei a você sobre isso no capítulo anterior. Para alcançar o Senhor, você tem que estar absorto em Seu devoto puro. Bhakti não depende de nada mais, só depende de nossa avesa, profunda absorção”. 

As vraja-gopis nunca pensam que Krishna é Bhagavan, elas pensam que Krishna é apenas um membro de suas famílias, somente um menino estúpido e sem noção. Mas você deve estar se perguntando, se elas falam que Krishna é apenas um menino tolo, por que então elas estão sempre tão absortas nEle? Na verdade elas nunca pensam que Ele é de fato um estúpido e sem noção, isso é apenas externo. Internamente elas estão sempre pensando nEle com amor e afeição.

Eu não sei se aqui vocês usam essas palavras, mas na Índia algumas vezes a mãe castiga o seu bebê falando: “Ei, você é um menino burro!”. Ora, se o filho é um burro, a mãe deve ser uma burra também! Mas na verdade ela está usando essas palavras com amor e afeição. Se você falar para seu filho: “Ei, você é um burro!”, mas o menino for muito esperto, então ele retrucará: “Mãe, se eu sou um burro, então você também é uma burra. Como é possível você me chamar assim?”.

Uma vez Krishna estava jogando bola, e naquele tempo Ele tinha apenas três anos e meio de idade. Ele estava jogando sozinho em frente a um poço. Mas acidentalmente a bola de Krishna caiu dentro desse poço. Então Krsna foi correndo atrás dela e ao olhar dentro do poço pensou: “Talvez tenha um fantasma aqui dentro”. Então Ele chamou Sua mãe: “Ei mãe, mãe, venha, um ladrão roubou a minha bola!”. Quando ela foi até lá, Krishna falou: “Olhe, olhe mãe! Tem um ladrão aqui dentro do poço!”. Na verdade era apenas a sombra de Krishna na água, mas Ele continuou falando: “Olhe, olhe mãe! Esse é o ladrão!”. Então mãe Yashoda viu também o seu próprio reflexo, e lhe falou: “Oh, Krishna, não apenas o ladrão está dentro do poço, mas sua mãe também!”.

Bhakti não depende de nada além dessa avesa, absorção. Então por isso, Sukadeva Goswamipada falou para Pariksit Maharaj: “Pensando nos vrajavasis, especialmente nas vraja-gopis; eles não possuem brahma-jnana,  nem conhecimento sobre tattva-sidhanta, eles apenas permanecem sempre absortos em Krishna, que é Bhagavan”. 

A conclusão é essa: a nossa vida será bem sucedida quando nos tornarmos completamente absortos no suddha-bhakta, pensando que ele é como um membro de nossa família. 

Então Gopa Kumara disse: “Ei Mathura Brahmana, o Senhor Narayana pessoalmente se manifestou como o meu guru Jayantha, e da mesma forma Srimati Radhika agora me enviou aqui para te liberar”. Então Gopa Kumara contou toda a sua história e harikatha, mas mesmo assim, Mathura Brahmana, Janarśama, não realizou nada.

Algumas vezes o guru fala harikatha, mas o discípulo não possui realização, ele não compreende. Da mesma forma, Gopa Kumara contou toda a sua história de vida e harikatha, e Janaśarma continuou sem ter nenhum tipo realização sobre aquilo. Então Gopa Kumara apenas colocou a mão sobre a cabeça de Janaśarma, o Mathura Brahmana. Com isso ele lhe deu uma benção. Imediatamente ele obteve as mesmas realizações de seu guru e tão logo teve também realização sobre a sua siddha-deha (forma transcendental) como ‘Svarupa’. Os dois puderam então retornar à Goloka Vrindavana e se encontrar com Srimati Radhika. E Ela ficou então muito satisfeita e deu Suas bênçãos a ambos. 

Bolo Vrindavana Bihari Lala ki Jay!
Nitai Gaura Premanande Hari Haribol!

Transcrição: Sita Devi Dasi
Revisão: Vrndavana Candra Dasa