Qual é o sentido da vida humana?


• Matinhos/PR
• 20/06/2019 

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Qual é o sentido da vida humana? 

Comer, dormir, defender-se e acasalar-se – essas quatro coisas são comuns entre ambas as vidas humana e animal. 

Na verdade, o significado da vida humana consiste na prática de serviço devocional ao Senhor. Tente entender, em todas as vidas anteriores, nós desfrutamos por meio de todos os tipos de prazer dos sentidos, e mesmo assim nunca estivemos satisfeitos. 

Há uma expressão em inglês – “mastigar o mastigado”. Nessa vida nós estamos fazendo as mesmas coisas: correndo atrás do sexo oposto, dinheiro, fama, honra e prestígio. Mas uma coisa é certa: não levaremos nem mesmo um centavo conosco após a morte. Vamos ter de deixar tudo aqui. 

Você pode perguntar aos seus amigos se eles irão com você. Nenhum deles dirá que sim, pois você veio sozinho e está fadado a ir sozinho. Você nasceu de mãos vazias, e quando chegar o momento de abandonar esse corpo, também o fará de mãos vazias. Mas ao praticar serviço devocional ao Senhor, certamente alguém irá com você. Quem veio lhe acompanhando e também irá lhe acompanhando? Quem estava junto de você desde que nasceu? Guru e Krishna. Isso lhe é desconhecido, você não sabe sobre Deus. 

Por que você não está olhando para Ele? Apenas vire seu rosto em Sua direção e assim verá que Ele está sempre junto de ti. Seu rosto está virado para Maya, a potência ilusória de Deus, e ela está te batendo. Por esse motivo há tantos tipos de sofrimento, estresse e infelicidade em sua vida. 

Você não virou seu rosto em direção a Deus para adorá-lO, mas está correndo atrás daquele que não é seu amigo e que irá sempre lhe bater. Por isso, todas as escrituras explicam: vire seu rosto em direção àqueles que realmente são seus amigos, isto é, Guru e Krishna. 

Você não está sozinho. Guru e Krishna estão sempre com você e vivem dentro de seu coração. Apenas vire-se para eles, e assim, a compreensão virá. Talvez lhe surja a pergunta: “Como poderei virar minha face para o Senhor?”. Cante os santos nomes, renda-se e sirva a Guru e Krishna. Sem cantar os nomes de Deus, nenhum método lhe fará virar seu rosto a Ele. 

Tente entender a filosofia de que a essência da vida é realizar bhajana e sadhana – adoração ao Senhor, pois essa vida humana é muito rara e a qualquer momento ou segundo, podemos abandonar o corpo. A vida é muito frágil, como bolhas na água. Não há garantia de quanto tempo ficaremos aqui no mundo material. No entanto, no Shrimad Bhagavatam, podemos nos lembrar de um caso em que alguém teve tal garantia: Ele soube que ficaria vivo por apenas sete dias – quem é ele? Parikshit Maharaj. 

Ele estava completamente confuso sobre o que fazer, então chamou todos os sadhus – santos. Humildemente, perguntou a diversos deles sobre como proceder, e estes deram-lhe diferentes instruções. 

Os sadhus não são todos iguais. Há diferentes tipos deles: karmi-sadhu, jñani-sadhu, yogi-sadhu, bhakta-sadhu. 

O karmi-sadhu prega que deve-se realizar karma. Já o jñani-sadhu diz que deve-se estudar as escrituras para que se alcance a libertação. O yogi-sadhu acredita na prática de yogi-sadhana e ashtanga-yoga. 

Então os sadhus deram diferentes instruções e Parikshit Maharaj ficou completamente confuso, pensando “O que irei fazer agora?”. 

Contudo, pela misericórdia de Krishna, Sukadeva Goswami Pada chegou naquela assembleia. Este dera a conclusão perfeita sobre o que fazer, dizendo: “Nos seus últimos sete dias de vida, pratique o tipo de yoga denominado bhakti-yoga – devoção ao Senhor. Para isso, você precisará ouvir sobre Deus e cantar os seus santos nomes”. 

Se você praticar bhakti-yoga, sua vida será bem-sucedida. Mas o que é bhakti-yoga? 

harer nama harer nama 
harer namaiva kevalam 
kalau nasty eva nasty eva 
nasty eva gatir anyatha  

“Nessa era de desavenças e hipocrisias, a única forma de se obter a libertação se dá através do cantar dos santos nomes do Senhor. Não há outra maneira, não há outra maneira, não há outra maneira.” (Brham-naradiya Purana, 38.126)

Nesta Kali-yuga, não há outro processo. Apenas cante os santos nomes e ouça Hari-katha – tópicos sobre Deus. É muito simples. 

Mesmo que você seja um advogado, médico, estudante ou homem de negócios. Você pode realizar suas atividades prescritas. E mesmo de uma maneira simples pode-se cantar os Santos Nomes. Duas voltas de Japa pela manhã e duas à noite. 

Você pode ficar com sua família, filhos e crianças, isso não é um problema. Não é necessário abandonar nada. Entretanto, um dia eles lhe abandonarão. Você não quer deixá-los, mas será deixado por eles. Um dia todos iremos abandonar nossos corpos, pois essa é a lei natural. Mas quem não irá morrer nunca? A alma.

Em algum momento este corpo irá morrer, mas a alma nunca o fará, pois esta é eterna e transcendental. O que ocorre é a transmigração da alma de um corpo ao outro. Por um período, você estará neste corpo, não se sabe por quanto tempo, mas isso já é prescrito e predestinado. 


As escrituras explicam que deve-se tentar enxergar e obter a compreensão acerca de sua alma e de quem você realmente é. Mas como saber? A alma é extremamente diminuta, menor até do que uma molécula, e não se pode vê- la com olhos materiais. É por isso que não é tão fácil obter a compreensão acerca da alma. 

No Shrimad Bhagavatam há uma história muito bela e interessante: 

Certa vez, um homem estava correndo de um lado ao outro, quando este aproximou-se de uma montanha. Ele viu a beleza daquele lugar e decidiu ficar por lá. Por alguns anos, o homem permaneceu sozinho. Entretanto, certo dia, uma moça muito jovem e bela surgiu naquele local. Ela então indagou: “Você está sozinho e eu também estou. Por que não ficamos juntos e assim nos ajudamos?”. O homem pensou: “Oh, que boa ideia!”. 

Eles se casaram e permaneceram juntos, até que veio a ilusão. Ambos ficaram apegados. Antes eles estavam sozinhos, mas agora já não conseguiam mais se separar devido ao apego que havia surgido. 

Certo dia, veio uma grande tempestade, e a esposa daquele homem abandonou o corpo, o que o fez pensar: “O que fazer agora?”. E então, enquanto andava por aí, o homem logo arranjou outra esposa. 

Muitos versos do Shrimad Bhagavatam explicam isso. Essa é a maneira como as coisas acontecem neste mundo material. 

Tente entender que a essência da vida consiste na prática de bhajana e sadhana, isto é, adoração a Krishna. Somente através desta, sua vida será bem-sucedida. 

Shrila Bhaktivinoda explica, “Sempre esteja acompanhado dos devotos do Senhor e realize bhajana e sadhana”. Isso significa sadhu-sanga, estar na companhia de um sadhu, um santo. Deve-se estar sempre com eles. 

O sadhu pode proteger você, nenhuma outra pessoa o pode. 

Muito cuidadosamente aproxime-se de um sadhu, não de um asadhu – aquele que é o oposto de santo. 

Às vezes costumo contar uma história muito bela e interessante: 

Era uma vez, dois peixes que viviam em uma lagoa. Em um desses, predominava o modo da bondade – sattva-guna, enquanto no outro predominava o modo da ignorância – tama-guna. 
Enquanto o peixe cuja natureza era sattva-guna agia como um sadhu, o outro, cuja natureza era tama-guna, era completamente asadhu. Entretanto, ambos viviam juntos e tinham amor e afeição um pelo outro.

Os gunas significam modos da natureza. Se você está situado em sattva-guna (modo da bondade), irá sempre comer alimentos de tal natureza, como frutas, cereais, vegetais, arroz, dahl, Maha-prasada, entre outros. Se situado em tama-guna (modo da ignorância), irá comer coisas que não são boas, como peixe, carne, ovos, bebidas alcoólicas. 

O peixe de natureza sattvika costumava dar sempre bons conselhos ao peixe de natureza tamasika, dizendo: “Ei, não faça isso, não faça aquilo”, porém, às vezes este ouvia, e às vezes não. O de natureza sattvika era muito calmo, quieto e tolerante. Já o tamasika, muito bravo e egoísta. Todas as escrituras explicam que esses são os sintomas de tama-guna. Na Bhagavad-gita, Shri Krishna explica a Arjuna sobre os sintomas de cada um dos modos da natureza. 

O peixe tamasika só vivia correndo de um lado ao outro, e às vezes aceitava os conselhos do peixe de natureza sattvika, às vezes não. Um dia, ele fora à uma outra lagoa procurar alimentos tamasika, e portanto, o peixe sattvika ficou se perguntando: “Onde está meu amigo? Fazem três, quatro dias que ele não volta”. Então o peixe chamou seu amigo: “Ei, venha ficar comigo nessa lagoa!”, e o peixe tamasika respondeu: “Não, não gosto de ficar com você! Aqui tem coisas mais gostosas para comer”.

“Não, não! Fique comigo! Sua vida será exitosa se vir ficar comigo aqui nessa lagoa!” – replicou o de natureza sattvika. Esse peixe sattvika é a representação do sadhu. O sadhu diz sempre: “Ei! Venha, fique comigo!”, mas o seu pedido às vezes é atendido, às vezes não. 

Por fim, o peixe de natureza tamasika respondeu: “Está bem, eu vou com você”, e dali em diante eles voltaram a viver juntos. Certo dia, um pescador lançou sua rede naquela lagoa, capturando então ambos os peixes. O peixe tamasika ficou muito bravo com seu amigo, lhe dizendo, “Ei! Eu estava muito bem naquele lugar, mas você me chamou e agora olhe, estamos na rede de um pescador! Vamos morrer! Na verdade, você é a causa da minha morte, pois só vim até aqui porque você pediu que eu viesse”. 

Então, o pescador colocou os dois peixes dentro de um pequeno pote. O peixe sattvika disse:

– Não se preocupe. Krishna é nosso mantenedor e protetor.

– Como é possível? Agora estamos em um pote! O pescador vai nos levar para sua casa e nos cortar! – replicou o peixe tamasika.

– Não, não fique bravo, se acalme, se acalme...

– Ei! Estamos prestes a morrer e você me diz para ficar calmo, como isso é possível? Eu acreditei em você, tive fé, mas agora já a perdi completamente, pois estamos prestes a morrer! 


Mas o peixe de natureza sattvika, muito calmo, continuava a dizer:  

– Krishna é nosso mantenedor. Krishna é nosso protetor. 

O pescador levou os peixes para casa e os entregou à sua esposa. 

Alguns peixes são muito grudentos, portanto é necessário colocar um tipo de cinza sobre eles para que o corte seja feito mais facilmente. Então, a esposa do pescador colocou cinzas sobre os peixes e eles começaram a sentir muita dor. 

– Olhe! Você disse que Krishna é nosso mantenedor e protetor, não foi? Em poucos segundos essa mulher vai cortar nossos pescoços! – disse o peixe tamasika. 

E o peixe sattvika respondeu: 

– Não se preocupe. Krishna é nosso man... Ei! Como isso é possível?
A esposa do caçador estava prestes a cortá-los, quando naquele mesmo momento o pescador recebera a notícia de que o rei havia construído uma nova lagoa – um tanque muito bonito. 

De acordo com a cultura indiana, quando se inaugura uma lagoa, é necessário que primeiro sejam colocados dois peixes lá. 

O rei então disse: “Se alguém me trouxer dois peixes agora, será recompensado com muito dinheiro”. E o pescador logo falou: “Ei, minha esposa, não os corte, não os corte! O rei acabou de declarar que dará uma grande recompensa a quem lhe der dois peixes”. Dessa forma, o pescador levou ambos os peixes até o rei. 

O rei e o sacerdote adoraram aqueles peixes e os colocaram na água, e assim fora declarado: “Estes dois peixes foram usados na inauguração da lagoa, portanto, ninguém terá permissão para cortá-los enquanto viverem aqui”. O rei ainda fez uma marca na cabeça dos peixes para mostrar que estes eram especiais. E então, eles permaneceram lá, nadando continuamente. 

Por fim, o peixe de natureza sattvika disse a seu amigo: “Viu? Krishna é nosso mantenedor e protetor ou não?”, e o peixe tamasika replicou: “Agora acredito e tenho fé em suas palavras. A partir de hoje irei abandonar toda a minha propensão tamasika – o modo da ignorância, e estarei sempre com você, pois salvou minha vida”. 

Na verdade, isso é sadhu-sanga – estar na companhia do sadhu. Ele está sempre a proteger sua vida. Sem sadhu-sanga, nenhum método pode tornar sua vida exitosa. 

Portanto, qual é a moral dessa história?

Sempre tenha fé firme nas instruções de sadhu e Guru, e lembre-se que Krishna sempre será nosso mantenedor e protetor. 

Nitai Gaura Premanande Hari Hari Bol! 

Tradução: Taruni Gopi Dasi (Matinhos)
Revisão: Vrndavana Chandra Dasa (Santo Antônio do Pinhal) e Acyuta Priya Devi Dasi (São Paulo)